o capitalismo lucra com o politicamente incorreto.

Posted on Julho 29, 2011

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Depois da agressão física contra pai e filho que estavam abraçados, confundidos com um casal gay, fato que aconteceu nesta semana que passou, fica claro que a cabeça de um debilóide agressor não é capaz de fazer distinções, e a violência pode chegar a qualquer um que não for Chuck Norris, Jean Claude Van Dame ou Arnold Schwarzenegger.A própria resposta à la Bolsorano dos agressores é muito reveladora: eles se confundiram e não são homofóbicos. (Aqui, interessante infográfico sobre crimes de ódio, no Brasil).
A absolvição de Jair “Fascista” Bolsonaro na Câmara dos Deputados abriu precedentes para que respostas assim surjam aos rodos. Não é homofobia, é “liberdade de expressão”.
Direitos Humanos custam caro para políticos e para o capitalismo. Para os primeiros, a religião e a mídia tornaram-se grandes negócios. Justamente numa época em que religião, economia e mídia sem confundem. O que os evangélicos e cristãos não percebem é que sua representação política é desvirtuada em nome de arroubos individuais e interesses políticos escusos, ‘muy’ comum em Brasília. Daí, a grande vociferação contra gays e minorias: é o pão e circo para seus fiéis, o tal do mostrar serviço, prestando um desserviço (não imagino o Bom Senhor se importando com a maneira pela qual as pessoas se ligam afetivamente umas às outras).
Para capitalistas, igualdade salarial entre homens e mulheres é quebrar lucros recordes (vide o bom filme Made in Dagenham). Por isso, lançam mão de uma estratégia ambígua: lucrar com gays e suas festas, turismo e paradas, mas ao mesmo tempo financiar políticos e empresários de qualquer país, em qualquer dos cincos continentes, contra estes mesmos direitos: e não só de gays, mas mulheres, negros, minorias étnicas, camponeses, comunidades tradicionais etc.

É cômodo para o capital deixar que outros façam seu trabalho sujo. As próximas décadas serão marcadas por conflitos de base comportamental. Esses conflitos servirão para aumentar a produtividade, competitividade dos empreendimentos capitalísticos, baixando custos. Neste sentido, cada vez mais o holofote vai ser direcionado para “a grande conspiração internacional atéia e gay”. Enquanto isso a luta de classes fica em terceiro plano (sim, sim, porque em segundo plano – mas hoje ocupa o primeiro – temos o espetáculo) e os Direitos Humanos tornam-se chatos (quem já não ouviu algo contra o politicamente correto?) e em extinção.

Em nome da acumulação capitalista sem fronteiras, os capitalistas que foram, um dia, vanguarda, aliam-se a segmentos mais retrógrados possíveis, gerando alianças “cataclísmicas”. Militares e Sionistas, em Israel; Neo-evangélicos e extrema direita, nos EUA; Bolsonaros e similares, no Brasil.
No fim das contas, sabe qual Distopia pode se concretizar? Aquela dos quadrinhos “V for Vendetta”, de Alan Moore.