Casarão das Oficinas

Posted on Junho 30, 2011

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O Ministério Público, através do promotor da 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, Gustavo Mereles Ruiz Diaz,vai investigar possíveis irregularidades no fechamento do Casarão das Oficinas. A matéria pode ser acessada AQUI.
Quanto às irregularidades, esperaremos resposta do Ministério Público. Agora, acima de tudo, duas coisas saltam as nossos olhos:
a) O que ocorreu com o Casarão das Oficinas, seu encerramento e a abertura da Casa das Oficinas por funcionário de cargo comissionado do governo liga-se ao contexto politico atual, dirigido pelo executivo blumenauense: a privatização do Esgoto; a privatização da Rodoviária; os benefícios generosos do governo para o consórcio SIGA. É a privatização das responsabilidades do governo.O governo abre mão de apontar prioridades, deixa de ser Político (num sentido mais amplo) para ser gestão de e para determinados setores economicos. Se, no caso da cultura, o governo repassa a definição de prioridades somente para a iniciativa privada, ele reforça exclusões e invisibilidades culturais: só vai ter atividades culturais do tipo “televisão no Brasil aos domingos a tarde” ou, então, o ideal burguês de alta cultura. E o artista ou produtor cultural que tenta ousar e se lançar em empreendimentos mais associativos para oferecer cursos e atividades culturais no bairros, por contra própria, pena sem apoio local. Neste sentido, este governo é surdo (liga seu aparelho de surdez somente para ouvir “amigos do rei”), privatista, reforçardor de desigualdades, abrindo mão de sua capacidade de planejamento para ser aquele “bureau” de ajuda humanitária aos ricos
 b) O fato de uma Fundação Cultural não desenvolver atividades de formação e reflexão artística e cultural, de ela servir grandemente a tão somente a preservação da tradição da elite local, torna-a desimportante,  esvaziando seu sentido e abrindo mão das inúmeras possibilidades criativas, tornando-se mero equipamento vazio, que se não fosse pelo trabalho desenvolvido pelo Arquivo Histórico e pela Biblioteca, seria nada mais que cabide de emprego. É essa a Fundação Cultural de hoje. Vale lembrar que a própria Escolinha de Artes Monteiro Lobato teve seus sérios problemas por falta de espaço, em 2010. Então, com o fechamento do Casarão das Oficinas e o desmonte da Escolinha de Artes, temos um governo que deixou para os agentes privados a responsabilidade de formar capital social. Vá fazer um curso no Teatro Carlos Gomes, pagando pelos serviços. Sabe-se da qualidade e do acumulo de experiencia das suas três escolas: de Música, de Teatro e de Dança. Mas os seus preço são para poucos. O governo não poder trabalhar contra a respública, criando e legitimando guetos.
Portanto, penso que é fundamental ressaltar que com essa ação se responsabiliza um governo pelo seu desinteresse e omissão ao que já existe e não somente uma pessoa em específico, que precisa, no entanto, se explicar. Mas aqui, o que tem que ser condenado é postura omissão desse desgoverno que não vejo a hora de terminar.

NO MAIS, FORA MARLENE.