As relações possíveis entre Antropologia e Imagem

Posted on Maio 29, 2011

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TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
MÁRCIO JOSÉ CUBIAK (ORIENTAÇÃO PROFESSORA ANA MARIA TELES – FURB).


Resumo: Este trabalho se insere na perspectiva de uma antropologia do visual contemporâneo, visando analisar as produções imagéticas da atualidade e seus códigos visuais. O cinema apresenta-se como um instrumento central para a análise e a interpretação de comportamentos individuais e coletivos desta época. Além disso, como objeto artístico, materializa metáforas sobre como as sociedades representam a si mesmo. A partir do filme “A Marvada Carne”, procuro entender as lógicas para a compreensão da imagem em movimento e a busca de seus sentidos. Ao mesmo tempo, realizo uma etnografia visual sobre o caipira e seus conceitos centrais enquanto grupo social, como o casamento, as formas de solidariedade e as inquietações em torno do alimento, relacionando este último com a variedade dos centros urbanos.

 Palavras-chaves: Antropologia Visual; Cinema; Caipira; Alimentação; Modernidade. 

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Bronislaw Malinowski ao centro com os nativos das ilhas Trobriand em 1918





Na contemporaneidade, o status da imagem é tema constante de estudos, ganhando destaque na mídia e na academia. Isto não significa, no entanto, que seja correto afirmar que a sociedade contemporânea é mais imagética do que foi em outras épocas.  O aumento no número de imagens e na quantidade de veículos de reprodução, nos últimos anos, está relacionado com o fato de nossa sociedade viver sob a lógica da máquina, ou como argumenta Aumont (1993), “passou-se da imagem espiritual para a imagem visual” (p. 314). Em torno do aumento da produção e reprodução da imagem técnica está o acesso, cada vez mais facilitado (o que não significa democrático), pela universalização e barateamento da tecnologia, resultado da inovação técnica permanente. Preços mais baixos significam mais consumidores que, por sua vez, representa um número maior de pessoas manipulando novas tecnologias imagéticas. No caso brasileiro, devido ao pequeno poder aquisitivo de grande parcela da população, a produção e a manipulação da imagem é restrita às camadas média e alta. A recepção, esta sim é democrática, irrestrita, quase não havendo condições de fugir do alcance de uma imagem (parece que sempre há uma imagem nos esperando em casa esquina…). Hoje verificamos um aumento no número de pessoas manuseando aparelhos celulares com câmaras fotográficas digitais acopladas em seus mecanismos. Geralmente em mãos adolescentes, estes aparelhos permitem baixar videoclipes e imagens animadas. A câmera filmadora é produto em oferta na publicidade nas lojas de eletrodomésticos. Além disso, temos os programas de manipulação da imagem, como o Photoshop e a presença cada vez mais comum de computadores ligado a Internet de alta velocidade nas residências. E o que dizer da predominância da televisão como eletrodoméstico mais consumido? Ou da popularização do videocassete e, mas recentemente, do DVD (digital vídeo disc)? O fato que pretendo ressaltar é que “olhamos” e “produzimos” cada vez mais imagens. É um fenômeno de influência, em que a Antropologia vem debatendo com o intuito de entender quais são os impactos destas novas tecnologias na sociedade de hoje. 

Foto-etnografia ALBERTO LIMA: Festa de Obaluaê