Nem tanto, nem tanto…

Posted on Março 19, 2011

1


….
“Boa tarde, meus camaradas. Todos vocês sabem que houve um inacreditável erro – o acidente na usina nuclear de Chernobyl. Ele afetou duramente o povo soviético, e chocou a comunidade internacional. Pela primeira vez, nós confrontamos a força real da energia nuclear, fora de controle” Mikhail Gorbachev.
….


Numa postagem anterior pincelei, rapidamente, como o Japão havia incorporado a catástrofe, especialmente resultadas de terremotos, na construção de suas cidades, investindo na redução dos efeitos colaterais, especialmente em termos de vidas humanas e de estruturas urbanas.


Pois, ainda pensando sobre isso, de repente recordei de 1945, quando duas cidades japonesas foram arrasadas por explosões de bombas atômicas, usadas somente esta vez na história da humanidade.

Hiroshima e Nagasaki são símbolos para o futuro, assim como Auschwitz.   

A energia nuclear é amplamente empregada, nos dias de hoje. Por mais questionamentos e reflexões levantadas por movimentos ambientalistas e pacifistas ao longo dos últimos 40 anos, os uso se expandiram, desde a fabricação de armas de destruição em massa, a tratamentos na medicina e na agricultura (mais informações: Aqui). 

Porém, (ahh porém), os lobbies político-econômico-militar….
(O Irã vem tentando fazer o que Alemanha, EUA, França, Japão, Brasil, Índia, Rússia e outros tantos já fazem). 

O Brasil viveu, inclusive, em 13 de setembro de 1987, em Goiânia, Goiás, seu momento nuclear, com centenas de vítimas no acidente com uma cápsula de césio-137 (mais informações: Aqui e Aqui).

A ex-URSS teve o seu momento nuclear em 1986, na cidade de Chernobyl. A explosão do Reator 04 foi produzida por erros humanos. “O o material radioativo disseminado naquela ocasião era assustadoramente quatrocentas vezes maior que o das bombas utilizadas no bombardeio às cidades de Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial. Por fim, uma nuvem de material radioativo tomava conta da cidade ucraniana de Pripyat”. Matou, na hora, 31 pessoas e resultou na evacuação de 130 mil (mais informações: Aqui, Aqui Aqui). 

Além de Auschwitz, Hiroshima, Nagasaki e,também, Chernobyl, são símbolos para todo o sempre. 

O Japão pode ter se preparado para terremotos, mas deixou aberta a porta para que o seu pior pesadelo possa voltar: mais de cinqüenta usinas como essa de Fukushima.Talvez o Japão nem tenha aprendido, tanto assim, sobre catástrofes. 

As tragédias, ao que parecem, só deixam marcas nas pessoas. Governos e mercados superam tempos difíceis com enorme rapidez. Essas instituições lêem superficialmente eventos como o de Chernobyl, aprimoram a técnica aqui e ali, melhoram a arquitetura das usinas. Arrotam especialistas em segurança por todos os canais. 


Não importa. Esquecem do elemento risco e incerteza. Usar a energia nuclear é suicídio coletivo. Nunca se sabe quando um tremor, uma sabotagem, um erro humano pode causar outros invernos nucleares. Nunca se sabe quando um general alienado por suas estrelas ou o terrorista suicida vai explodir uma bomba atômica.

A humanidade é uma rede de escolhas. Devemos dizer não a essa tolice atômica. Todo o investimento já empregado na construção de usinas nucleares e na pesquisa científica em torno de seus usos poderia ter resultado nessa utopia: A China anunciou oficialmente que vai lançar um programa para desenvolver um reator nuclear de sal fundido a base de tório, dando um passo decisivo para transformar a energia nuclear em uma fonte primária limpa (mais informações: Aqui). 



Esse projeto, de energia limpa MESMO, foi abandonado na década de 1970 porque a energia atômica, a base de urânio, geravam como subproduto o plutônio, material das bombas atômicas.


As escolhas humanas….