Tirar a complexidade "do armário"

Posted on Fevereiro 10, 2011

0


Este ano terá nova edição da conferência. Já elaboramos, nas últimas cinco edições, uma Agenda mínima pela qual batalhar. A partir desta 6ª Conferência, a sua realização será bianual.

Reivindicar o que? (o problema não é o que reivindicar, mas como ser atendido) Como disse, acredito existir uma pauta sintetizada no Plano Municipal de Cultura. Existe a construção do Sistema Municipal de Cultura. Avanços que demandarão articulação. 

A conferência, em minha singela opinião (a qual levarei ao conselho como proposta), deve tratar do principal assunto que tensiona a cultura hoje: as identidades (ou territorialidades) que não cabem numa só, no nosso caso a tal “alemã”.

A conferência municipal de cultura tem que lançar um novo desafio à sociedade: chamar as múltiplas territorialidades para sua Arena.  A conferência tem de deixar de ser um espaço reivindicatório de ações pontuais. Deixar de ser apenas gente sentada. Levar a vontade de se expressar, de fazer-se conhecido, de levar os instrumentos musicais, de fazer roda, de dizer que nem tudo é suspensório nessa cidade. Que não somos uma aldeia, exigimos a complexidade. Mais do que debater, trocar. O maior desafio deste século é deixar de ser imbecilizado para humanizar-se.

Precisa afirmar-se como espaço das múltiplas territorialidades presentes na cidade, como a dos terreiros de umbanda, passando pelos “guetos” das juventudes locais, chamando esses novos imigrantes do século XXI (nordestinos, paulistas, paranaenses, gaúchos e tantas identidades que afirmam para si um estatuto), trazer as associações de moradores, clubes de caça e tiro, os parques da cidade, a universidade, os territórios virtuais, ou os muros artificados!.

Na medida em que a identidade local vem sofrendo dos processos da mercantilização da cultura, as diversas territorialidades padecem de invisibilidade, escamoteando a complexidade da situação.

Para além da institucionalização, é necessário afirmar a cultura enquanto fluxos culturais, não como algo estanque, cabível num conceito. A cidade alimenta-se de fluxos diversos. Fomentar o diálogo entre a cultura oficial e a inúmeras contestações para produzir algo novo, que se humanize mutuamente.