As MÍDIAS como atores sociais

Posted on Setembro 1, 2010

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As MÍDIAS como atores sociais (p.73:80), do Livro de J. MARTIN-BARBERO e GERMÁN REY, “Os Exercícios do Ler” (São Paulo, Editora SENAC, 2004)

Há um cenário de resignificação social das mídias. É um debate importante para as políticas culturais e a própria democratização da sociedade brasileira. Este cenário traz mudanças concretas, que precisam ser consideradas quando nós lidamos com a esfera pública, a mídia e seu papel pretensamente isento e acima do bem e o mal.

Na leitura do capítulo As MÍDIAS como atores sociais (p.73:80), do Livro de J. MARTIN-BARBERO e GERMÁN REY, “Os Exercícios do Ler” (São Paulo, Editora SENAC, 2004), é possível apontar três mudanças fundamentais:

a) Reformulação da identidade das mídias como atores sociais; As mídias, além de “mostrar” como vão ocorrendo as mudanças as acompanham. De um perfil mais homogêneo e unificado para um mais plural, heterogêneo, laicizado e fragmentado (p.73). “A idéia de que as mídias fundamentalmente “representam” o social cedeu diante de sua ascensão enquanto atores sociais, diante de sua legitimidade como sujeitos que intervém ativamente na realidade (p.74)”.

b) Mudanças na percepção da sociedade civil sobre as Indústrias Culturais; “Elas, também, deixaram de ser organizações familiares para uma gestão empresarial e corporativa e de uma intervenção focalizada a uma multidimensional”. Muda seu papel como ator social e seu próprio funcionamento cultural. Questionam-se seus limites de “sujeito isento” através da qualidade da informação, independência, e compatibilidades entre informação e interesses econômicos. Este fenômeno pode se caracterizado pela “Empresarialização das Mídias” (p.76) e está relacionado diretamente com as interseções entre mídia e outros gêneros, demandando estratégias comerciais agressivas, a busca de novos produtos e mercados, a preocupação com a audiência etc.

c) Interseções entre mídia e outros gêneros; É a passagem do setorial ao multidimensional. Representa o movimento de complementaridade entre mídias, telecomunicações, entretenimento e processamento de dados (p.78). “Hoje, a tendência é das fusões, das alianças, da passagem dos oligopólios naturais a uma economia da variedade (…) como é o caso da entrada das telefônicas na televisão aberta ou das empresas de televisão a cabo no serviço de processamento de dados via fibra ótica” (p.80).